O levantamento do Aos Fatos aponta que Flávio Bolsonaro mentiu reiteradamente ao negar qualquer relação sua ou da família com Daniel Vorcaro e o Banco Master, tentando jogar o escândalo no governo Lula. Depois das mensagens e do áudio divulgados pelo Intercept Brasil (pedido de dinheiro para o filme Dark Horse e tom de proximidade, como “estou e estarei contigo sempre”), ele admitiu o contato e o financiamento privado, justificando as negações anteriores por cláusula de confidencialidade.
Aqui está a enumeração das 12 ocasiões compiladas:
1. 13 de maio de 2026 (coletiva após encontro com Fachin): Gargalhou, chamou o repórter do Intercept de “militante” e disse “É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso?” sobre o financiamento de Vorcaro ao filme. Depois repetiu “é dinheiro privado”.
2. 5 de maio e 19 de abril de 2026 (posts nas redes): Repetiu o bordão “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”, sugerindo que a família não tinha relação com o caso.
3. 9 de maio de 2026 (entrevista): Disse que a esquerda tenta criar narrativas vinculando Bolsonaro ao Master, “só que não dá liga. Não foi o Bolsonaro que se reuniu escondidinho com o Vorcaro […], foi o Lula”.
4. 1º de maio de 2026 (Jovem Pan News): Afirmou que o caso Master, “se impactar alguém, vai impactar esse atual governo” e que “a gente não tem relação nenhuma com esses criminosos”.
5. 27 de abril de 2026 (nota à CNN Brasil): “Mentira tem perna curta e nove dedos. Quem se encontrou com Daniel Vorcaro no escurinho do Palácio do Alvorada foi o Lula, não o Bolsonaro. O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”.
6. 16 de abril de 2026 (Jovem Pan News): “Mais uma vez, eu não encontro o nome de Bolsonaro em nenhuma lista dessas, em nada que possa ter algum envolvimento com o Banco Master”.
7. 6 de abril de 2026 (podcast Inteligência Ltda.): Classificou a tentativa de vincular o governo Bolsonaro ao Master como “uma loucura”.
8. 24 de março de 2026 (CNN Brasil): Disse que é preciso “combater essa narrativa falsa tentando vincular Bolsonaro e a direita ao caso do Banco Master, que não tem absolutamente nada a ver” e que “essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.
9. 23 de março de 2026 (redes):
Questionado se a delação de Vorcaro poderia atingir a direita, respondeu: “Não pode atingir a direita, porque você não pode continuar com essa narrativa falsa que o Lula tem criado de querer nos vincular a isso”.
10. 16 de março de 2026: Após a jornalista Mônica Bergamo informar que a CPI do INSS encontrou o contato de Flávio no celular de Vorcaro, ele disse que nunca teve contato com o banqueiro e que “o meu número de telefone não é propriamente um segredo”.
11. 13 de fevereiro de 2026 (programa Pânico, Jovem Pan): Afirmou que o caso Master “está causando nojo em todo mundo” e que “está acontecendo durante o governo Lula”.
12. Outras declarações no mesmo período (novembro de 2025 em diante) reiterando que não havia vínculo e que o escândalo era exclusivo do governo atual.
Depois das provas, Flávio passou a dizer que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 (as mensagens são de setembro-novembro de 2025) e que o financiamento era apenas privado para o filme, sem dinheiro público.
O Aos Fatos destaca que o Master recebeu recursos de fundos de pensão e emendas parlamentares, deixou rombo em banco público, o que torna a afirmação de “zero dinheiro público” questionável.