sexta-feira, 24 de abril de 2009

Variando o cardápio


Cada um de nós tem um padrão físico e estético pré-concebido e ideal que nos seduz de uma forma inquestionável, sendo aquele tipo que nos agrada mais e aguça à todos os nossos sentidos. Quando a gente bate o olho, logo de cara: "Os olhos crescem, a boca saliva, sobe aquele arrepio da nuca ao cóxix e todos os pêlos do corpo ficam literalmente em pé, surgindo aquela vontade louca de "saborear" como se fosse o seu prato preferido". Apesar disso, eu nunca achei viável e justo ser retilíneo nesse aspecto, por ser um fator limitante - Até mesmo porquê, desde criança, a minha mãe me ensinou que é falta de educação dizer que não gostamos de comer qualquer alimento, sem nem se sequer, tê-lo experimentado antes. Desde então, eu procuro experimentar os pratos do cardápio que eu não conheço e não sei o seu sabor, principalmente, quando me sugerem ser suculentos.

- "Partindo desse princípio culinário, porquê eu não me permitiria, pelo menos, dar-me à oportunidade de conhecer outras personas diferentes de mim e do padrão ideal que eu criei?!!! Não custa nada dar um crédito à sorte e ao acaso, deixando-me surpreender e não perdendo a oportunidade de conhecer pessoas tão interessantes quanto aquelas que se adequem ao meu padrão preferencial. Novos sabores podem ser tão estimulantes ou mais do que os tradicionais, que não apresentam mais mistério nenhum."


Quando somos mais jovens e imaturos, temos a tendência de escolher as nossas paqueras e companhias preocupados com a opinião dos outros, como se nós tívessemos a obrigação de agradar os nossos olhos e também os dos outros, talvez, por medo de sermos julgados pelas nossas escolhas ou querermos ser aceitos através delas. Muita cretinice, como se os nossos critérios de escolha (nem sempre tão efetivos assim, mas, os nossos) e a nossa personalidade não nos credenciasse para tal atribuição: "Saber fazer a escolha certa como se estivessemos escolhendo o vinho certo para a ocasião certa".

- "Afinal, nós temos que escolher as nossas amizades, parcerias profissionais e amorosas com o único compromisso de nos autoagradar e não pensando nos outros. Os outros e os seus padrões que se danem, porque quem vai usufruir deles somos nós e não eles!!! Ainda bem, que faz um bom tempo que eu rompi com essas preocupações tolas e tacanhas."


Sobretudo, nestes últimos anos, eu venho variando o meu cardápio humano, me distanciando cada vez mais do padrão ideal (pré-concebido, formatado e quase intocável no pedestal). Tudo isso para eu não me tornar um escravo dessa condição limitante, impedindo-me de conhecer e de me surpreender com o novo e experimentar o que há de bom. Posso dizer até, que hoje, eu sou um homem que aprecio diferentes cardápios e que me atraio por diferentes tipos físicos - Porquê o importante não é a forma, mas o conteúdo!!!

Assim, é variando o cardápio que você passa a se conhecer muito melhor, definindo as suas preferências afetivas, as suas limitações éticas e morais diante das situações e das ações dos outros para com você e o conteúdo pessoal mais adequado ao seu perfil. Entretando, variar de cardápio não pode ser inferiorizado ao exercício banal da "galinhagem", mas, da ruptura com os seus padrões ideias, onde, muitas vezes, eles são inatingíveis e cercados de expectativas, carências, inseguranças e lacunas subjetivas de quem os constróem.

- "A escolha é sempre sua se deve ou não variar de cardápio, permitindo a dádiva de alcançar diferentes sabores que você nunca imaginou experimentar na vida."

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"As lágrimas não reparam os erros!!!"

The Verve - Bitter Sweet Symphony (with lyrics)

♫ Pitty - Na sua estante

"Eu não ficaria bem na sua estante..."