terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sessão III: A passagem mal feita



De "Reizinho da casa" para "Patinho feio"


Hoje a terapia foi muito elucidativa. Tudo o que conversamos me fez o mais completo sentido. Enquanto eu ia para o consultório, eu pensava em qual a temática que iríamos discutir - Temática tratada foi: "A minha timidez".

Sobretudo na adolescência, quando eu era apenas um jovem gorduxito cheio de sonhos, a maneira que eu me encontrava para sobressair no meu meio escolar e social, junto dos meus amigos, era ser simpático, engraçado e extrovertido. Mas, quando eu fiz a minha dieta em 95/96, eu perdi esse Dan, entando num processo inverso de timidez e introversão.

Durante a nossa conversação, nós conseguimos construir o seguinte esquema:


Descobrimos que as minhas lacunas (carências, expectativas, ansiedades) foram originadas na infância (geralmente, é onde se iniciam os primeiros conflitos), devido a "passagem mal feita" da persona simbólica da fase da infância para a adolescência, onde eu deixei de ser tratado e de me sintir o "Reizinho da casa"¹ (símbolo da relação familiar) para ser o "Patinho feio"² (símbolo da relação social).

Foi nesse processo de transição da infância para a adolescência que houve a ruptura sombólica, havendo a transferência de "Reizinho da casa" para "Patinho feio", onde o meu "eu", o meu ego, ficou arquivado, parado no tempo subjetivado, precisando da aceitação do olhar do outro.

Repensando a minha "Síndrome de Patinho Feio", fica muito nítido a minha necessidade de ser reconhecido e acarinhado pelo olhar do outro para que eu possa me sentir bonito, interessante, aceito e poderoso. Muito embora, por não estar com um super auto-estima (ainda, porque eu vou ficar, ah se vou!!!), todo e qualquer elogio que eu receba não é prontamente reconhecido, devido a minha desconfiança. Por mais que digam coisas favoráveis a minha pessoa, sempre soa para mim com exagero ou segundas intenções.

- "Subjetivamente, eu preciso da aceitação do outro, do seu elogio (Quem não gosta de se sentir querido e desejado, não é mesmo?!!!). Mas, o mais importante é que eu me aceite e goste de mim em primeiro lugar e eu já estou começando a fazer isso por mim, embora seja um processo lento e gradual, um exercício diário."


Nesta passagem, é como se todo o suporte que eu tinha na infância, sobretudo o subjetivo, tivesse sofrido uma descompensação significativa na adolescência e, por isso, trago comigo até hoje seqüelas emocionais da mal passagem. Essa fome de reconhecimento que eu sinto, está presente na minha "gula", na minha luta diária em manter o peso (agora numa fase bem mais "light"), nas minhas relações sociais e afetivas, manifestando-se através do meu gênio forte e da minha forte voz de comando (se deixarem, eu monto em cima e viro um ditadorzinho), dos meus ápices de racionalidade nos meus relacionamentos (sendo mais racional do que emocional), da minha insegurança em relação ao sentimento correspondido, do surgimento do meu lado ciumento (agora mais forte e visceral), do fato de seu mesmo me sabotar no momento da paquera, muitas vezes, dando "não" para não receber o "não" (puro medo da rejeição) e do meu desapego afetivo no momento do término de cada relacionamento (lutos rápidos e indolores).

Nesse sentido, para me manter numa zona confortável e de proteção, durante algum tempo eu venho usando a minha timidez como escudo de proteção, tentando boicotar e apagar a minha personalidade solar e extrovertida como maneira de passar desapercebido aos olhares dos outros e evitar dissabores, sofrimentos e dores afetivas.

- "Mas, existe um grande conflito aí: Se por um lado eu não quero ser notado, para não sofrer, por outro, o meu sol grita, querendo irradiar luz e calor e ser contemplado."


Sem dúvida alguma, a sessão de hoje foi fantástica.


_____________________
1. Enquanto "Reizinho da casa", eu era o indivíduo principal do foco das atenções, sendo auto-protegido, paparicado, mimado, tendo todas as minhas vontades prontas e atendidas. Frustração nula.
2. Enquanto "Patinho feio", em casa, eu passei a ser o elemento secundário, talvez, esteja relacionado com a chegada do meu sobrinho, 10 anos mais novo do que eu, e na rua, para os outros, mais um na multidão.

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"As lágrimas não reparam os erros!!!"

The Verve - Bitter Sweet Symphony (with lyrics)

♫ Pitty - Na sua estante

"Eu não ficaria bem na sua estante..."