quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Homenagem à José de Alencar

Fonte: Quadro retratado por Floriano Teixeira, baseado na Obra Literária Irecema - 1865.

Meu ilustre homenagiado e conterrâneo nasceu em 01/05/1829, na localidade de Mecejana-Ce, e era filho do Sr. José Martiniano de Alencar (deputado pela província do Ceará). Segundo alguns historiadores, ele é o fruto de uma união ilícita e particular do pai com a prima Ana Josefina de Alencar. Ainda na infância e na adolescência respondia pelo apelido de Cazuza. Na fase adulta, ficaria conhecido nacionalmente como José de Alencar, um dos maiores escritores românticos do Brasil e quiçá da língua portuguesa.

Aos dezoito anos (1847), José de Alencar esboça o seu primeiro romance - Os Contrabandistas. Mas, em 1854, estréia como jornalista escrevendo o seu primeiro folhetim "Ao Correr da Pena" - uma mistura de jornalismo e Literatura com narrativas leves, tratando de acontecimentos sociais, artísticos, políticos, enfim, coisas do cotidiano da vida e da cidade.

O jornal Correio Mercantil proibiu um de seus artigos, deixando-o decepcionado e tendo como consequência o seu desligamento do jornal. Depois dessa decepção, José de Alencar começa uma nova empreitada no Diário do Rio de Janeiro, no passado um jornal bastante influente, que passa naquele momento por uma séria crise financeira. Ele e alguns amigos resolvem comprar o jornal e tentar ressuscitá-lo, investindo dinheiro e muito trabalho.

É No Diário do Rio de Janeiro que acontece sua estreia como romancista. Suas principais obras literárias são:

  • 1847: Os Contrabandistas;
  • 1854: Ao Correr da Pena;
  • 1856: Cinco Minutos, A Viuvinha e A Confederação dos Tamoios;
  • 1857: O Guarani, além de estreiar como autor teatral da peça Verso e Reverso;
  • 1860: Escreve a peça-drama Mãe;
  • 1861: Lucíola;
  • 1865: Iracema;
  • De 1870 a 1877: Guerra dos Mascates, Til, O Tronco do Ipê, Sonhos D'Ouro, O Gaúcho, O Hermitão da Glória (1873), Ubirajara (1874), A Pata da Gazela e Senhora.

Iracema é um de seus romances mais populares (1865), é um exemplo profundo dessa ansiosa mudança desejada pelo autor. A odisséia da musa Tupiniquim combina um perfeito encontro do colonizador português com os nativos da terra. Iracema é uma bela virgem tabajara, "a virgem dos lábios de mel", e esta tribo é amiga dos franceses na luta contra os portugueses que tem como aliados os índios pitiguaras. Porém Martim, o guerreiro português, nas suas investidas dentro da mata descobre Iracema, e ambos são dominados pela paixão.

"Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste. A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.”
(Iracema - Primeiro encontro de Martim e a virgem dos lábios de mel)


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